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Com exemplos do dia a dia, escolas ensinam alunos a lidar com o dinheiro

Com exemplos do dia a dia, escolas ensinam alunos a lidar com o dinheiro

150 150 ENEF

Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especiais para O Estado

14 de outubro de 2019

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SÃO PAULO – Um passeio pelo setor de achados e perdidos da escola. Foi essa a forma que os educadores do Colégio Guilherme Dumont Villares encontraram para incentivar os alunos do 6.º ano do ensino fundamental a refletir sobre o custo de seus pertences. Lá, listaram os tipos de objetos acumulados, como uniformes e materiais. Em seguida, foram levados para a lojinha do colégio e conferiram os valores de cada item. Assim, conseguiram mensurar os prejuízos.

“Os alunos estabeleceram uma relação do valor dos itens perdidos e de quanto isso representava na mensalidade. Daí tabularam e fizeram gráficos, podendo ver de forma clara o quanto quem não tomava cuidado com os objetos perdia em dinheiro”, explica Angela Fonseca, diretora do colégio.

Iniciativas como essa mostram formas de inovar nas aulas de educação financeira e, de quebra, aproveitar para instigar o interesse dos alunos pela Matemática. No caso do Guilherme Dumont Villares, a escola desenvolve ainda um projeto de empreendedorismo que engloba da educação infantil ao ensino médio.

A ideia da proposta é que os alunos criem produtos tendo de considerar questões como otimização de recursos e sustentabilidade. Os resultados são levados à Feira do Pequeno Empreendedor, evento da escola no qual as famílias conferem os materiais produzidos e comercializados pelos alunos.

“Eles constroem objetos como brinquedos educativos com materiais recicláveis, aprendem a definir preços e vendem na feira. Isso vale também para alimentos. São motivados a cultivarem mini-hortas e planejarem a melhor forma de comercializar a produção no evento”, completa.

Por trás das duas atividades – tanto a aula no achados e perdidos como a Feira do Pequeno Empreendedor – está o conceito de que usar as aspectos do dia a dia é a melhor forma de introduzir conceitos econômicos no currículo.

Realidade

É a mesma linha de atuação da Escola Lourenço Castanho, cujo conteúdo visa a mostrar o que está por trás de fatores econômicos que influenciam o consumo das famílias e estão sempre nos noticiários.

“Aplicamos conceitos matemáticos de forma progressiva, desde o fundamental até o médio. Por exemplo, mostramos aos mais novos a lógica das promoções do tipo pague 2 e leve 3. Já para os maiores explicamos os elementos que podem provocar a alta do dólar”, comenta Maria Daltyra de Magalhães, coordenadora de Matemática.

No Colégio Brasil Canadá, a intenção é aliar as somas e subtrações a decisões coletivas que exijam flexibilidade. Uma das tarefas dos estudantes do 1.º ano do fundamental, crianças de 6 e 7 anos, é organizar um lanche coletivo. Para isso, o primeiro passo é estabelecer quais serão os pratos e decidir os ingredientes necessários.

“São decisões tomadas de forma coletiva, discutidas em assembleias, nas quais todos votam”, explica a diretora pedagógica, Bruna Elias.

Cardápio montado, são feitas pesquisas e definidas as melhores estratégias para serem obtidos todos os elementos necessários com o máximo de economia possível. Os pequenos também são levados a refletir sobre as variáveis que devem ser consideradas.

“Qualquer bom planejamento não é engessado. Por isso, eles precisam pensar em cardápios flexíveis, no sentido de um ingrediente não depender intrinsecamente de um outro para que a receita tenha êxito.”

Aproximação

O desafio de Káthia Maciel, professora de Educação Financeira da Escola Estadual São Paulo, era criar uma disciplina eletiva que instigasse o interesse dos estudantes do ensino médio pela própria Matemática. Não teve dúvidas sobre o caminho a seguir.

“Pensar em educação financeira foi a forma que encontrei para deixar a Matemática mais próxima da vida dos alunos”, conta.

Nas aulas, realizadas em todas as terças-feiras, eles aplicam conceitos matemáticos para lidar com questões que afetam suas economias domésticas. Dessa forma, todos fizeram levantamento dos orçamentos, com gráficos que mostram de forma clara as rendas e as despesas familiares.

Como resultado, a escola fez da Matemática uma forma de os alunos pensarem em novas perspectivas de vida.

“Todos estão mais atentos a questões como tarifas bancárias e juros do cartão de crédito. E alguns aproveitam as lições para ter mais renda, como uma aluna que revende produtos e agora tem mais controle do seu pequeno negócio.”

Aplicativos propõem desafios e bônus para tarefas cumpridas

Não é só na escola que o ensino sobre finanças ganhou nova roupagem. Já há também aplicativos e plataformas digitais que propõem esse aprendizado de forma lúdica.

Com o Tindin, por exemplo, os pais podem definir recompensas para as ações dos filhos. Tarefas como arrumar a cama ou fazer as lições escolares rendem pontos no aplicativo. Ao atingir determinada somatória, o uso do dinheiro é liberado e a cobrança é feita no cartão de débito ou crédito do responsável. O crédito pode ser utilizado na loja virtual do aplicativo ou em estabelecimentos conveniados.

Vínculo afetivo

Para evitar a tentação de as crianças enganarem os pais – como marcar uma tarefa que não foi feita -, um dos recursos do app possibilita que os responsáveis solicitem a foto da atividade cumprida.

“Mas sugerimos que os responsáveis participem e estimulem o cumprimento das tarefas pessoalmente, tornando as atividades ainda mais assertivas e fortalecendo o relacionamento”, diz Eduardo Schroeder, CEO da empresa.

Já para atrair o interesse de quem não desgruda dos games, há soluções como o jogo Tá o$$o, desenvolvido pela Associação de Educação Financeira do Brasil – AEF Brasil. Nele, o jogador controla um simpático cãozinho em uma cidade virtual, na qual ele precisa executar desde ações mais elementares, como pesquisar o skate mais barato, até tocar um negócio próprio.

“O jogo é sempre focado nas tomadas de decisão. O jogador começa decidindo questões do cotidiano, como compras simples, até o momento que é colocado em um mercado de trabalho e tem de escolher o que vai fazer, com decisões de negócio para empreender”, explica Claudia Forte, superintendente da AEF Brasil.

Tribuna da Bahia

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou nesta sexta-feira que a educação financeira é “chave” para o BC atuar na questão do cheque especial no Brasil. O cheque especial é hoje uma das modalidades de crédito mais caras disponíveis aos clientes de bancos, com taxa média de 322,2% ao ano.

A cidade de Salvador receberá, no próximo dia 23 de agosto, o Projeto Itinerante da Associação de Educação Financeira do Brasil – AEF-Brasil, que cumpre a importante missão de levar educação financeira à população ao capacitar professores da rede pública sobre o tema. Em 2018, a ação formou mais de mil profissionais de educação em 38 cidades.

O projeto, iniciado no ano passado, acontece em um momento importante para o país, em que pesquisas de mercado mostram um crescimento no número de famílias brasileiras endividadas. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram, por exemplo, que esse percentual vem aumentando nos últimos meses e chegou a 59,6% em julho. “Em um contexto como esse, a educação financeira, mais do que nunca, aparece como a principal alternativa para a construção de uma nação financeiramente consciente, na medida em que promove mudança de comportamentos e, por consequência, transforma vidas”, comenta Claudia Forte, superintendente da AEF-Brasil.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomércio-BA, apontou, em junho, um percentual de 47,7% das famílias da capital baiana com algum tipo de dívida, quarta alta mensal consecutiva. Em resumo, o resultado de junho mostrou a dificuldade das famílias em manter o nível de consumo diante do desemprego elevado e da economia fraca. Os gastos com o cartão de crédito são os responsáveis pela situação de 87,3% das famílias baianas. Os carnês seguem na segunda colocação bem abaixo com 7,1%, seguido de crédito pessoal com 5,1%. Em termos absolutos, seguindo a taxa de inadimplência, 155,8 mil famílias soteropolitanas não quitaram a dívida na data de vencimento.

A capacitação da AEF-Brasil segue as diretrizes da ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF, Decreto Lei DECRETO Nº 7.397, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2010 que institui uma política pública que tem por finalidade disseminar a educação financeira junto à população. A iniciativa oferece aos docentes de todo o Brasil, de forma gratuita, informação, formação e orientação, além de parcerias com órgãos e entidades públicas e instituições privadas.

“Nosso objetivo é formar os profissionais com grande base de informação para que possam inserir de forma transversal a educação financeira nas demais disciplinas da escola, como Português, História e Geografia. A ação beneficia não só os professores, mas também estudantes e toda a comunidade. Nossa expectativa para esse ano é chegar aos 2 mil professores capacitados nas 41 cidades que percorreremos”, comenta Claudia.

Planos para 2019

Esse ano, além das oficinas para capacitação de professores em 41 cidades, o Projeto Itinerante retornará em dez municípios para acompanhamento e medição de resultados. “Queremos saber os resultados de quantos alunos, pais e/ou comunidade serão impactados diretamente por atividades realizadas por professores que passaram pelas oficinas para, assim, mensurar de forma eficiente quantas pessoas foram impactadas por estes professores, após participarem das oficinas”, explica Claudia Forte.

A AEF-Brasil espera que o capital humano gerado pelas oficinas de educação financeira resulte em impacto direto aos alunos, bem como indiretamente aos familiares e comunidade, aumentando e fortalecendo a temática no País.

Serviço

Projeto Itinerante de Capacitação em Educação Financeira

Data: 23 de agosto (sexta-feira)

Horário: das 8h30 às 12h30

Local: IAT Instituto Anísio Teixeira

Endereço: Estr. da Muriçoca, S/N – São Marcos, Salvador – BA

Sobre a AEF-Brasil e a ENEF

A AEFBrasil – Associação de Educação Financeira do Brasil é uma OSCIP criada para executar a Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF, uma política pública lançada em 2010 com a finalidade de disseminar a educação financeira junto à população. Seu principal foco de atuação é a promoção e fortalecimento da causa da educação financeira em todo o país.

A Instituição desenvolve tecnologias educacionais e sociais que visam despertar no cidadão brasileiro um comportamento financeiro saudável e consciente. Entre os projetos de destaque estão programas de educação financeira voltados a crianças e jovens dos Ensinos Fundamental e Médio e, além de projetos com foco em adultos que beneficiam, sobretudo, mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família e idosos com renda de até dois salários mínimos. O programa voltado ao Ensino Médio, por exemplo, já foi aplicado em escolas de cinco Estados e no Distrito Federal e, de acordo com avaliação do Banco Mundial, gerou um aumento da capacidade dos jovens de adotar práticas financeiras mais conscientes.

A AEF-Brasil é mantida por quatro importantes instituições do sistema financeiro nacional: ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais; B3 – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros; CNSEG – Confederação Nacional de Seguros Privados e FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos.

Coordenação e Execução dos Programas
Em função do DECRETO Nº 9.759, DE 11 DE ABRIL DE 2019, a governança do CONEF está sendo revisitada.




    FONTE
    ALTO CONTRASTE